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sexta-feira, 7 de junho de 2013

A minha vida dava uma História 3#

"Quem vem para o Tarrafal vem para morrer!" dizia Manuel dos Reis, director do Campo de Concentração do Tarrafal, numa das piores zonas climáticas, criado em 1936 na chamada "Colónia Penal do Tarrafal", a Achada Grande, na Ilha de Santiago, Cabo Verde. Só em 1978 é que foi possível a transladação dos corpos dos "tarrafalistas" mortos no Tarrafal, para Lisboa. Neste período histórico que antecedeu a abertura do campo "logo no início da ditadura fascista, registou-se no país um poderoso surto de lutas sociais e políticas. A primeira revolta armada surgiu em 1927 apoiada de milhares de populares. A sua repressão provocou centenas de mortos, feridos e deportados." Seguiu-se a revolta do Batalhão de caçadores 7, em 1928. Três anos depois explodiu a revolta da Madeira que se manteve durante 25 dias, enfrentando forças do governo. Seguiram as revoltas dos deportados políticos da Ilha Terceira, em São Tomé, Cabo Verde e Guiné. "A fascização do Estado Português desenvolveu-se tomando como modelo o fascismo de Mussolini (Itália) e Hitler (Alemanha); em simultâneo cresceram as lutas, aquela concepção de Estado Forte", que na prática significou: repressão, abolição de partidos, eliminação de sindicatos livres, imposição da censura fala ou escrita.
Em 1934, na luta contra a fascização dos sindicatos, destacou-se a Revolta dos Trabalhadores da Marinha Grande com a ocupação da vila e a intervenção da GNR, que prendeu dezenas de manifestantes! Em 1935 os funcionários públicos passam a ser obrigados a assinar uma declaração anticomunista. E, em consequência, forma demitidos milhares de funcionários que não deram provas de aceitar tal medida. Em 1936 revoltaram-se os marinheiros dos navios Dão e Afonso de Albuquerque. Entretanto o avanço do fascismo pela Europa "matava e aprisionava populações quase inteiras, criando para o seu aprisionamento um elevado número de campos de concentração, de inspiração hitleriana, visando o extermínio dos prisioneiros. Foi um processo iniciado na Alemanha, que rápido se alargou a toda a Europa". Foi neste quadro de protestos, atrás descritos, que a ditadura de Salazar decidiu criar também um campo de "Morte Lenta", para aí concentrar os mais destacados lutadores antifascistas e aterrorizar o povo. O próprio Médico para ali destacado dizia "Não estou aqui para tratar. Estou aqui para passar certidões de óbito".

Texto de contextualização histórica
Sr- António Lino - Aluno da US

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A minha vida dava uma história 2#

"Em 1974 após o 25 de Abril eu e um grupo de amigas organizámo-nos e criamos o núcleo do Movimento Democrático das Mulheres – MDM local – pois a sede é em Lisboa e do qual eu fazia parte na direcção e Concelho Nacional. Então com a finalidade de lutar e defender os direitos fundamentais das mulheres, começamos por pôr as mãos há obra e assim começamos a funcionar.

Primeiro pedimos à Câmara que nos cede-se instalações para que podessemos reunir e trabalhar. Começamos por criar uma creche onde actualmente é a Junta de Freguesia, uma vez que só havia o infantário, e onde nem todas as mulheres tinham possibilidades de lá pôr os seus filhos por dificuldades monetárias. Assim elas poderiam ir trabalhar sabendo que os seus filhos estavam a ser bem cuidados. E assim mais tarde conseguimos que estas crianças entrassem no infantário.

Também criamos com a ajuda de uma amiga professora, podessemos dar alfabetização pois havia muita gente que nem o nome sabia fazer, ensinamos corte e costura, rendas, bordados, do qual depois se vieram a fazer exposições desses mesmos trabalhos.

Fizemos sessões de esclarecimento em muitas terras do distrito de Leiria como por exemplo a cerca da emancipação da mulher na sociedade.

Considero que fazer parte deste movimento me deu muito mais saber e me proporcionou bastante experiência que me foram muito úteis para poder ajudar todos os que precisam.

Sinto que contribuí para que as mulheres pudessem ficar mais esclarecidas, e pudessem olhar de frente todas as dificuldades que a vida lhes dava, que pudessem lutar pelos seus direitos e que conseguiram adquirir e que as levou a lutar pela emancipação de todas as mulheres."

Texto de:
D. Felicidade Oliveira - Aluna da US

terça-feira, 7 de maio de 2013

A minha vida dava uma história 1#

"Iniciei o meu trabalho em 1970 como professora de posto (Angola) mas no fim de dois anos resolvi concluir o curso do Magistério Primário. Em 1975 regressei a Portugal como a maioria dos portugueses que viviam em Angola.Em Outubro de 1975 fui iniciar o ano lectivo numa escola que já não era habitada há cinco anos e que os vidros das janelas deixaram de ser de vidro para passarem a ser de plástico e os caixilhos de platex. Em 1976 iniciaram a construção de uma escola nova, a qual foi concluída e que depois se manteve fechada durante algum tempo.

Um belo dia apareceu o engenheiro responsável pela obra a quem eu fiz o pedido de me entregar a chave, pois a escola velha onde eu trabalhava estava muito degradada e com muitos buracos no chão. O chão era de madeira e por baixo era a loja onde as professoras mais antigas guardavam o cavalo ou o burro que era o seu meio de transporte. O engenheiro entregou-me a chave, mas tive de lhe entregar uma declaração como me responsabilizava pela entrega da mesma.

Enfim, tinha uma escola nova, a qual os meus alunos mereciam. Havia sala nova mas não havia mobiliário. Escrevi duas ou três vezes para a rádio fazendo um apelo a pedir o mobiliário uma vez que os alunos escreviam em cadeiras e sentados em bancos que traziam de casa. O locutor da rádio era o Sanção Coelho. O meu apelo foi ouvido e um dia em Janeiro de 1977 recebi um mobiliário que ia destinado ao distrito de Bragança, mas a minha escola ficava nos Vales, concelho de Valpaços e distrito de Vila Real. Este dia foi dia de festa para os alunos.

Em 1978 fui para Seia, distrito da Guarda, depois fui para a Damaia mais um ano e em 1980 fiquei colocada em Famalicão  - Nazaré onde permaneci 18 anos e o meu meio de transporte era o comboio. Em 1998 fiquei colocada na escola João Beare –Marinha Grande, onde trabalhei durante 7 anos, onde gostei muito tanto dos alunos como dos colegas. Adorei os alunos e ainda hoje temos uma amizade com os pais e as crianças. Fazemos jantares ou almoços e os pais juntam-se a nós (professora e alunos). Os alunos que mais me marcaram foram os dos Vales – Valpaços e da João Beare – Marinha Grande.

Ainda tinha muito mais a dizer sobre os alunos mas devido à escassos do tempo dou por finalizado este meu percurso como professora."

Texto realizado por:
D. Elisa Castanheiro (antiga Professora Primária) - Aluna da US